Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Por fim aprendera a fazer o nó de forma correcta. Passou-a sobre a viga de madeira, subiu para cima do banco e colocou-a à volta do pescoço. Pensou que ficaria bem um dramático fechar de olhos mas constatou que precisava olhar o banco para poder afastar, como fez, com um pontapé. O último som que ouviu foi um baque seco de algo a quebrar.
Deitado no chão do velho armazém olhou a corda partida. Afinal não era verdade que o algodão não engana.



joao moreira de sá às 11:55 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Agora ali amarrado percebia porque se pensava que a existência de tribos canibais era um mito.



joao moreira de sá às 16:36 | link do post | comentar
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A realidade superava em grandiosidade tudo o que imaginara sobre o Grand Canyon. Os abismos dos vales tão mais altos, tão mais fundos do que nas fotos.

Não conseguia sentir senão espanto pelo tempo que a queda demorava. E o filme da vida que nunca mais começava a passar.



joao moreira de sá às 10:35 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Por fim deixou de ouvir o seu coração bater. Estava surdo.



joao moreira de sá às 11:00 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

Pelo menos o coágulo na vista explicava porque mais ninguém tinha visto o eclipse dessa manhã.



joao moreira de sá às 11:59 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

Eu já cá estava, disse-lhe com um sorriso.
No interior da pequena cabine o fumo parecia fazer de propósito para manter visível a placa que lhe aconselhava num vermelho irónico "não usar em caso de incêndio".



joao moreira de sá às 11:57 | link do post | comentar
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

A bomba estava pronta. Programou o temporizador com tempo para um último passeio. Estaria de volta a horas. Perfeito para um dia de aniversário.
Não fosse aquela ideia parva da festa surpresa.



joao moreira de sá às 14:15 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

Preparou tudo ao detalhe. Livros, papel, madeiras ao redor. Pegou na lata de gasolina, encharcou tudo, regou-se.
Depois, nem um isqueiro, nem um fósforo naquela casa.
Na pilha combustível um maço de tabaco amarrotado alertava que "fumar mata".



joao moreira de sá às 13:48 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

Tinha prometido que hoje esperaria. Andava há demasiado tempo a evitar encontrar-se consigo mesmo.



joao moreira de sá às 13:43 | link do post | comentar
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