Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Suportara bem a parte de colocar o corpo no saco preto, o sinistro fechar, o transporte até ao hospital, o colocar o corpo no gavetão.
Mas agora o frio daquela morgue quase o fazia desejar estar de facto morto.



joao moreira de sá às 10:50 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Pulou para a frente dela e surpreendeu-a com a rosa que trazia atrás das costas. Viu-lhe o espanto e o sorriso entre tímido e embaraçado.
Pediu desculpa pelo engano. Era tão parecida vista de costas.



joao moreira de sá às 11:00 | link do post | comentar
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Sábado, 27 de Novembro de 2010

Sentiu o sabor a sangue nos lábios. O espelho confirmou acrescentando um olho negro.
A sua mão esquerda tinha estado com insónia outra vez.



joao moreira de sá às 11:30 | link do post | comentar
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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Com golpes precisos decepou a falange do indicador direito de uma. Limpou o pouco sangue, mergulhou à vez os pedaços de carne em tinta e como carimbos imprimiu a sua marca na folha branca. Voltou a cozer as pontas dos dedos, o desta naquela, o que fora da mão dessa nesta outra.
Como eram agradáveis estas noites em que tinha alguém com quem trocar impressões.



joao moreira de sá às 11:24 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Ao sair deixou-lhe na mesa de trabalho uma nota escrita à mão, "espero-te para jantar. hoje cozinho eu".
Se ela o conhecesse quem sabe teria aparecido.



joao moreira de sá às 11:30 | link do post | comentar
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

Sabia que tinha inventado o planador perfeito. Os resultados calavam os mais cépticos. Todos os anteriores recordes pulverizados.
Sentia-se realizado mas cansado. Ao fim de três dias no ar começava a pensar que teria sido boa ideia incluir um mecanismo para baixar.



joao moreira de sá às 11:30 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Tentou manter a calma. Lembrar-se de tudo o que vira e ouvira em documentários. Que os ataques de tubarões são muito raros. Que se supõe que não sejam, na maioria das espécies, agressivos por natureza. Que os ataques a humanos de devem provavelmente ao confundirem-nos com outras presas habituais.
Fugir era impossível. Permanecer imóvel pareceu-lhe a melhor forma de, apesar das dores, evitar que lhe comesse a outra perna.



joao moreira de sá às 11:30 | link do post | comentar
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

"Já não demoro. Estou a chegar aos semáforos". Acabou de enviar a sms e distraiu-se por segundos a guardar o telemóvel no bolso.
Viu acender-se o verde dos peões e avançou. O carro atingiu-o em cheio. Nem tempo teve para ler a mensagem que acabara de receber, "Já não demoro. Estou a chegar aos semáforos".



joao moreira de sá às 11:30 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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