Sábado, 30 de Julho de 2011

Tirou uma vez mais os auriculares das orelhas para conseguir ouvir o que lhe diziam. Era difícil apreciar a música da terra se continuasse a ser interrompido para avisar que trazia o fio a arrastar pelo chão.



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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

Procurou-a por toda a casa. Não estava. Talvez tivesse saído. Ou nunca tinha entrado. Era indiferente. Não estava.



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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

A justiça é cega. E ela tinha sido injusta com ele.



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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

Fixou o olhar no reflexo do rosto dela com a lua ao lado na poça de água. Distrairam-no as gotas de chuva que voltavam a cair do céu carregado de nuvens daquela noite de lua nova.



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Terça-feira, 26 de Julho de 2011

Gostava de ter como companhia apenas o som do velho aparelho de telefonia mas ia para uma semana que nenhum posto emitia, como se o mundo se tivesse calado. 
O silêncio tornou insuportável. Decidiu sair para comprar pilhas.



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Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

Viu-a na rua. Tinha o rosto mais belo que alguma vez vira. Levou-o para casa.



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Após mais uma noite no mar, chegava à doca com o barco carregado de peixe. Como de costume, lançou todo o pescado ao mar antes de atracar, não fossem pensar que a vida lhe corria bem.



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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

Era um quarto para as três. Era um quarto para as cinco. Era um quarto para as sete.
Mudou de casa. Eram nove e três quartos.



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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

Esperou ainda mais uma hora. Ela garantira que não iria jantar com ele mas podia estar atrasada.



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Por fim com tempo, desceu à cave para se dedicar ao puzzle que o desafiava. 
Talvez hoje descobrisse onde encaixava aquele braço.


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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

Entrou na água e nadou até já não ter pé. Por sorte o tubarão não era grande.



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Era de facto única aquela sensação de caminhar no deserto até não ver vestígio de civilização mas agora começava a aborrecê-lo não saber para que lado ficava a aldeia.



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Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Acordou sentado no sofá. Num sofá, que não o seu. Tudo naquela casa lhe era estranho. Abriu as janelas. A rua não era a sua. Pegou nos sacos e saiu antes que os donos voltassem.



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Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

Acordou em pânico. Perdera a memória e não se lembrava onde.



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Cada vez mais optavam pelo forno crematório em vez do tradicional enterro. Agradava-lhe. Nunca tinha conseguido abafar totalmente o som das pancadas na madeira.



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Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

Ansiava por uma noite de amor com ela. Mas não tinha a certeza se estava disposto a deixá-la comer-lhe a cabeça.



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Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

Não acreditava na reencarnação. Já acreditara, mas isso fora em vidas passadas.



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Gostava de ficar a ver o pássaro na gaiola. Tentava-se a abrir a portinhola mas era demasiado pequena para entrar.



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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

Não cabia em si de contente. Explodiu de alegria.



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Tentara já com todos os produtos de limpeza que tinha em casa. Comprou detergentes, lixas e lixívias, solventes e diluentes.
Nada parecia conseguir apagar aquela mancha de pecado.



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Terça-feira, 12 de Julho de 2011

Colocou o corpo sobre o enorme braseiro de onde agora emanava um calor apropriado para assar a carne.
Ela sempre lhe dissera que apenas ambicionava uma vida bem passada.



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Acordou a meio da noite sobressaltado. Sonhara que tinha cegado. Acendeu a luz e deu-se conta de que de facto não via. Deitou-se para dormir um pouco mais.
Era mais fácil trocar a lâmpada de dia.



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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

Sabia do seu fascínio por salto altos. Beijou-a e empurrou-a do alto do penhasco.



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Não conseguia imaginar passar o resto da vida confinado àquela cadeira de rodas.

Levantou-se e saiu da loja ortopédica.



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Sexta-feira, 8 de Julho de 2011

Levantou-se da cama, despiu a gravata e o fato, vestiu o seu melhor pijama e saiu para comprar o jornal.



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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

Pediu-lhe uma vez mais que subisse com ele. Não gostava de dormir sozinho. Recebeu como resposta a indiferença de todas as outras noites.
Ela não era assim quando estava viva.



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Estava mais magro. Apercebeu-se no dia do casamento, ao vestir o fato.
Mas agora, ali no altar, era tarde para fazer mais um furo no cinto de explosivos



joao moreira de sá às 09:30 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011

Ele queria perder-se. Ela queria ser encontrada. Demasiado fácil.
Construíram um labirinto.



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Içou a vela e fez-se ao mar. Quando por fim já não avistava terra sentiu falta de um barco e a vela teimava em não acender.



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Terça-feira, 5 de Julho de 2011

Naquele momento decidiu partir a corda que o guiaria à saída do labirinto. Sabia que já não queria voltar para trás.



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