Fotografava almas.
Não tinha onde cair morto. Caiu vivo.
Foi abrindo as ostras uma a uma. Por fim encontrou uma sem pérola. Guardou-a e emergiu.
Subiu as escadas. E nunca mais desceu.
Um dia acordou e tinha morrido.
Pouco ligava à vida. Nesse dia ligou. Não atenderam.
Sentado na cadeira de baloiço sob o velho sobrado, sonhava acordado com o dia em que poderia ver os pôr-do-sol sentado numa cadeira de baloiço sob um velho sobrado.
Retirou dos escombros o que restava de si.
Desligaram o telefone. Ficou sentado à espera que o mundo acabasse de ruir.
Como de costume, lá foi, mas dessa vez não voltou.
Por fim chegara, apesar de o GPS lhe garantir que o "fim do mundo" não existia
Atendeu. Era para ele. Mandou dizer que não estava.
Não se via nada. Acendeu a luz. A luz não acendeu. Mudou a lâmpada. A luz não acendeu. Mudou a lâmpada. A luz não acendeu. Mudou a lâmpada. A luz não acendeu. Não via nada. Podia estar cego. Ou ser noite e ter faltado a electricidade.


