Procurou-a até aos confins do mundo, mas não estava lá.
Parou para deixar passar uma oportunidade e seguiu caminho.
Era a última mortalha. E ainda lhe sobravam tantos corpos.
Apreciava cada momento ao lado dela. Foi acordado pela campainha.
Tinha tido até ali uma vida perfeita, mas o despertador acabou por tocar.
Resolvera por fim debruçar-se sobre o assunto. Acabou por cair nele.
Saiu da cama, vestiu-se, disse-lhe adeus e saiu. Nunca soube quem ela era.
Não eram as incertezas do futuro que o preocupavam. Eram as certezas do passado.
Passara anos a planear o seu suicídio. Um dia morreu.
Pareceu-lhe ver algo ao longe. Talvez um cacto. Levantou-se da soleira da porta e caminhou pela terra seca. Era de facto um cacto.
Estava endividado até à raiz dos cabelos. Mandou-o rapar.
Apetecia-lhe que fosse já amanhã. E era amanhã. E apetecia-lhe que lhe apetecesse que fosse ainda já amanhã.
Olhou lá para dentro. Constatou que a sua alma estava vazia.
Como é que não entendiam? Claro que era fruto da sua imaginação, por isso era perfeita.
O dia acabava ali mas ele já tinha acabado muito antes.
Pelos seus cálculos ainda deveria estar longe, mas era ali, o fim.
Chegou a tempo. Mas não era ali.


